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Conformação

 

   Tu, que andas inventando universos
   com figuras de argila inconsistente
   e que tentas fazer dos grãos dispersos
   da areia uma montanha resistente,

   deita fora esse anseio repentino
   de mostrar-te qual gigante que não és,
   pois amanhã o vento do destino
   há de fazer-te ruir o monte aos pés.

   Não sonhes, se teu braço não alcança.
   Conformar-se também é esperança.
   Amolda-te ao que a vida hoje te dá.

   Nem maldigas o alforje do presente,
   pois serás um eterno descontente
   a sonhar com o que nunca terá.


Antonio Cezar Peluso
Lorena, 28/11/1960