Minha alma é um jardim todo florido,
Alma que escondo neste peito humano.
Rasga-o, e dele ainda ferido,
Fibras pulsarão pelo desengano.
Abre o coração e verás perdido,
Nas suas fibras, um tormento insano.
É a figura dum grito emudecido,
É a ilusão passada em cada ano.
Dorido orfeu cantando a esperança,
Um quê de dor eu sinto em cada dia.
O desespero crava n’alma, lança
De cada dor que sente, uma poesia.
E vago pelas ruas qual criança,
Sentindo ir-se a vida, fugidia.
Daniel D. Peluso (Tristão dos Vales), 18/05/1941
