Abri o álbum com as mãos tremendo.
Ah, meu Deus, quanto foi o meu cuidado.
O paradoxo esteve em mim tecendo
Uma imprevista teia do passado.
E cada folha por onde eu vagava
Era um retalho deste pobre ser.
Nem eu sabia em que parte estava,
nem qual a parte que podia ler.
U’a multidão de vãs mensagens mortas,
Um oceano vil de linhas tortas
Fizeram minha história pelo avesso,
História sem sentido deste nada,
que palmilhou comigo a mesma estrada,
história sem final e sem começo.
Antonio Cezar Peluso
