Vem ver comigo, ó divinal donzela,
A natureza nesta noite bela
Que noite de luar!
O céu se enche de uma melodia
Na paisagem paira a nostalgia
Fazendo-nos cismar!
Vem, nós iremos bem juntos assim,
Por entre arcadas, roserais sem fim,
nas coisas meditando…
Veremos estradas e lindos campos,
No ar veremos luz de pirilampos
na escuridão brilhando!
Vem ver os abismos e as negras rochas;
Na mata densa, como duas tochas:
Os olhos do jaguar!
Vem, nas ondas do turbilhão insano
Verás a força do gigante oceano
Penedias rebentar…
Vem, e o inferno verás no pensamento,
Do algo olhando aquele fogo lento
Na boca d’um vulcão.
Além, verás um monstro dormitando,
Noturnos gênios no espaço vagando:
Sombras na escuridão.
Vem, e verás aqui nascer um ente;
Ali, jogado abandonadamente:
Um pobre moribundo.
Vês? Pois bem, guarda na tua lembrança,
Tudo o que vistes, dir-te-ei sem tardança
É o que chamamos mundo!
Daniel D. Peluso (Tristão dos Vales), 26/05/1939
