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O Passarinho


   Como cantavas bem, meu passarinho!
   Embora posto num viveiro rude,
   Improvisando acordes ver-te eu pude,
   Tanta vez, ao chegar-me de mansinho.

   Estavas lá, tranquilo, na quietude,
   A relembrar, quiçá, o velho ninho,
   Ou os espaços amplos do caminho,
   Que percorrias, voando, muito a miude.

   E era esse o snho suave, que fazia
   Tua alma, enternecida, sonhadora,
   Vibrar intensamente, cada dia.

   Cantavas, e teu canto, como outrora,
   Enchia o ambiente e tudo de harmonia,
   Na beleza singela, lá de fora.


D. Luiz Gonzaga Peluso