Correndo pela estrada, vinha o vento,
Bufando descontente, estremunhado,
como alguém que, com pressa, foi barrado,
ao transmitir adiante seu intento.
Vendo! No entanto, inda ontem, era agrado,
Aragem, suavidade do momento,
A libertar as coisas do tormento
da inércia, da exaustão, do malparado.
Inda ontem, era sopro delicado,
A falar-nos, no ouvido, sussurando,
Quanto o mundo conserva e quer guardado.
Hoje, não. Fez-se força sem comando.
Sibila e foge, longe, desvairado,
Sua missão de vida renegando.
D. Luiz Gonzaga Peluso
