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Quantas Dores


   Ó, quantas dores me consomem o peito;
   Quantas ilusões me consomem a vida!
   De desventuras mil tenho o meu leito,
   Onde repousa minh’alma dorida…

   Já nesta vida de ilusões, desfeito.
   Já da esperança sou folha caúda…
   Resta-me agora de meu triste eito:
   Uma dor… uma lembrança… uma ferida…

   Um vulto de barro. Mísero pó.
   E ainda cheio de tanta vaidade.
   Orgulho. Prazeres. Alegria. Só

   São disfarces tristes da realidade.
   Realidade essas que nos pede dó.
   Pois somente a morte nos diz verdade.


Daniel D. Peluso (Tristão dos Vales), 20/07/1938